O acervo digital apreendido pela Polícia Federal (PF) no âmbito do chamado Caso Master e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) revela um contrato de honorários advocatícios estimado em R$ 427 milhões para a ‘Turma do KN’, que segundo a Polícia Federal se refere ao ministro do STF, Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro para a Corte.
O documento integra o material recolhido com o banqueiro Daniel Vorcaro e refere-se a ações judiciais de precatórios que, de acordo com apuração do portal Metrópoles, poderiam render até R$ 8,5 bilhões caso obtivessem êxito total na Justiça. As informações são da coluna de Andrezza Matais, no Metrópoles.
O contrato em questão foi celebrado com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, que tem como sócia a advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O acerto previa a quitação de 5% líquidos sobre os valores obtidos pelo Banco Master em 12 processos relativos ao antigo setor sucroalcooleiro. As cláusulas permitiam ainda ao escritório inscrever precatórios em nome próprio e receber a fatia diretamente da União.
Turma do KN
Nas conversas extraídas do telefone de Vorcaro, investigadores identificaram o uso de codinomes para se referir a autoridades: “Turma do KN”, uma expressão usada em mensagens para mencionar o desembargador Newton Ramos e a advogada Camilla Ramos.
Sigla “KN”: a Polícia Federal associa a identificação ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF.
Registros indicam reservas no hotel Fasano Itaim e camarotes solicitados em nome do desembargador. Em um dos episódios, uma assessora repassou o pedido de uma diária no hotel para Nunes Marques, ao que Vorcaro respondeu: “Pode botar na minha conta”.
Fonte: A Tarde
