O Brasil registrou uma redução de 3,2% nos casos de feminicídio entre janeiro e julho de 2026. Na Bahia, porém, a realidade segue na contramão da tendência nacional. No período, 61 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado, contra 57 nos primeiros sete meses de 2025, o que representa um aumento de 7%.
Os dados da Bahia são da Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-BA). Em todo o país, o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) contabilizou 848 feminicídios nos sete primeiros meses deste ano.
Mais do que números, os registros representam vidas interrompidas e famílias marcadas pela violência. O crescimento na Bahia reforça a necessidade de ampliar e fortalecer as políticas de prevenção, proteção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
Bahia segue na contramão do Nordeste
O cenário baiano chama ainda mais atenção quando comparado aos dados do Nordeste. A região apresentou a maior redução percentual do país, com queda de 14,4% nos feminicídios. O número de vítimas passou de 257, entre janeiro e julho de 2025, para 220 no mesmo período deste ano.
Enquanto o Nordeste conseguiu reduzir os registros, a Bahia contabilizou quatro vítimas a mais em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
O contraste evidencia que a redução nacional não significa que o problema esteja resolvido. Pelo contrário: os números estaduais mostram que o combate ao feminicídio precisa ser permanente e adaptado à realidade de cada território.
Números nacionais ainda preocupam
Além do Nordeste, o Sudeste registrou redução de 4,7%, passando de 317 para 302 vítimas. No Norte, os casos caíram de 85 para 84, uma redução de 1,2%.
Na direção oposta, o Sul apresentou crescimento de 14,9%, com os registros passando de 121 para 139 vítimas. No Centro-Oeste, o aumento foi de 7,3%, de 96 para 103 casos.
Entre os estados brasileiros, 14 unidades da Federação registraram redução nos feminicídios no período. Outras 11 apresentaram aumento e duas permaneceram estáveis.
Apesar da queda nacional, o número de mortes continua alarmante. A média móvel chegou ao maior patamar recente em março, com 141,8 vítimas, e caiu nos quatro meses seguintes, alcançando 119,8 em julho.
É preciso dar um basta à violência contra a mulher
Cada feminicídio é o resultado extremo de uma cadeia de violência que, muitas vezes, começa com ameaças, agressões físicas, violência psicológica, controle, perseguição e outras formas de abuso.
Por isso, a redução dos índices nacionais deve ser acompanhada de ações concretas para impedir que novas mulheres sejam vítimas. Na Bahia, onde os números cresceram, o alerta é ainda mais urgente.
Combater o feminicídio exige prevenção, acolhimento, investigação, responsabilização dos agressores e uma rede de proteção preparada para agir antes que a violência termine em morte.
Os 61 casos registrados na Bahia nos primeiros sete meses de 2026 não podem ser tratados apenas como estatística. São 61 vidas perdidas. E cada uma delas reforça a necessidade de que sociedade e poder público unam esforços para que a violência contra a mulher não continue avançando.
